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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

ATAQUE: ARTICULISTA DA VEJA CULPA OS PRÓPRIOS PROFESSORES PELA FALTA DE MELHORES SALÁRIOS NA EDUCAÇÃO

Claudio de Moura Castro: inimigo dos professores e da educação

  O Senhor Claudio de Moura Castro, articulista da Revista Veja, afirmou que os professores trabalham pouco, não conseguem fazer os alunos aprender, se protegem atrás da estabilidade do serviço público, aposentam novos e com salário muito alto. Ainda segundo o Sr. Claudio de Moura, tais situações resultam em elevadas despesas aos cofres públicos e impossibilitam o pagamento de salários melhores na área da educação. Esse ataque aos educadores foi feito em artigo intitulado "Professor ganha mal?", publicado na revista Veja, edição de 27 de julho de 2016.

   No infeliz artigo, o Sr. Claudio de Moura tentou fazer uma análise da situação da remuneração dos docentes no Brasil, porém, mostrando um total desconhecimento do funcionamento da educação básica do país, acabou colocando a culpa nos próprios professores pelo fato de não receberem um salário melhor. Veja os argumentos utilizados pelo articulista da Veja:

Professor TRABALHA MUITO POUCO:
Na opinião do Sr. Claudio de Moura, "os professores estão sob regras aparentemente generosas" e por isso trabalham muito pouco durante a carreira. Citando férias, recessos, licenças prêmios, faltas por motivo de saúde, licença para cursar mestrado e doutorado, afastamento eleitoral e, pasmem, até licença gestante, o articulista da Veja afirma que um professor que "usar todas as dispensas legais deixará de ensinar por 13,5 anos" durante toda a carreira. Baseado em informações imprecisas, fazendo suposições, realizando contas matemáticas confusas e desprezando direitos trabalhistas, o Sr. Claudio de Moura Castro afirmou que os professores trabalham pouco pois ficam muito tempo fora da sala de aula. Segundo ele, os recursos gastos com o pagamento dos substitutos impossibilita o poder público de oferecer um salário melhor aos professores concursados. Tal argumento é um delírio do autor do artigo, pois desconsiderando direitos adquiridos ele responsabiliza os próprios professores pela ausência de aumento de salário.   

Professor NÃO CONSEGUE FAZER O ALUNO APRENDER:
Na visão nefasta do Sr. Claudio de Moura, os professores não conseguem fazer os alunos aprender e, por isso, o salário que recebem está de bom tamanho. O articulista da Veja afirmou que "como se acumulam repetências gasta-se mais. Se todos aprendessem os salários poderiam aumentar muito com o mesmo orçamento", ou seja, na opinião dele se os professores ensinassem direito e os alunos aprendessem, diminuiria o número de reprovações e sobraria recursos para oferecer aumento de salário. Pior ainda, disse que não adianta pagar um bom salário para professor ruim, pois "na verdade, não há relação clara entre o salário do professor e o que aprendem os alunos. O Amapá tem um dos salários mais altos e as piores performances". Mais uma viagem mental do autor do artigo, que culpa exclusivamente o professor pelo fracasso do aluno, e pior, vincula a questão salarial as taxas de reprovação.  

Professor SE PROTEGE ATRÁS DA ESTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
Segundo o Sr. Claudio de Moura, os professores ruins se protegem atrás da estabilidade do cargo no setor público, não se preocupando em serem eficazes com o ensino na sala de aula. Ele afirma que, "como os professores são estáveis, com completa impunidade, podem ser péssimos a vida toda". Na opinião do Sr. Claudio, o professor ruim prejudica a aprendizagem do aluno e eleva as taxas de retenção, gerando gastos para o Estado e prejudicando a melhoria dos salários dos profissionais da educação. Portanto, na opinião sem noção do tal Sr. Claudio, a existência de uma grande quantidade de professores ruins atrapalha a concessão de um salário melhor, ou seja, pra ele a culpa da situação atual é dos próprios educadores. 

Professor APOSENTA NOVO E COM SALÁRIO MUITO ALTO:
Na opinião descabida do Sr. Claudio de Moura, os professores aposentam novos e recebendo um salário muito alto, fato que impossibilita o poder público de pagar um salário melhor aos docentes que estão na ativa. O articulista da Veja alegou que "aposentados com 50 anos, ou menos, os professores têm uma esperança adicional de vida de 25 anos. Ou seja, na média, eles passam tantos anos aposentados quanto ensinando" e continuou dizendo que no Brasil, "ao contrário do que acontece na maioria dos países, [os professores] aposentam-se com o mesmo salário [...] Aumentando a idade da aposentaria e fazendo seu valor mais modesto, dobraríamos os salários". Pois é, o Sr. Claudio acredita que os professores deveriam trabalhar por mais tempo e aposentar recebendo um salário bem menor, pois assim sobraria recursos para pagar um salário maior aos docentes da ativa. Tal argumento revela o desconhecimento do articulista, pois a fonte de recursos utilizada para o pagamento dos professores da ativa não é mesma que paga os aposentados.     

Professor REPRESENTA DESPESA AOS COFRES PÚBLICOS
Na visão absurda do Sr. Claudio de Moura, os professores e a educação representam elevadas despesas aos cofres públicos e não investimentos que possam proporcionar a construção de um país melhor. Argumentando que os sistemas de ensino no Brasil concedem muitas regalias aos professores, o Sr. Claudio diz que isso é "ótimo para eles [professores], mas quem paga a conta?" e, em outro trecho, questiona "quanto custa para o Erário pagar aos professores" e afirma que "em termos internacionais gastamos bastante". Enfim, na opinião do Sr. Claudio, o poder público já está "gastando" demais com os professores e o salário só não é melhor por culpa deles mesmo. Essa foi a mensagem que ele pretendeu passar com o artigo que escreveu. 

  É bom deixar registrado que o Sr. Claudio de Moura Castro é economista e não educador, e que também nunca trabalhou em uma escola pública de educação básica. Essa informação explica o evidente desconhecimento do mesmo da realidade cotidiana dos professores e das redes municipais e estaduais de ensino. Seu artigo "Professor ganha mal?" é um delírio mental totalmente desprovido de conhecimento científico, no qual procurou fantasiar argumentos para culpar os próprios professores pelo fato do Estado não oferecer um salário melhor aos profissionais da educação. Lamentavelmente, mais uma vez, os professores foram atacados pela imprensa.   

Ricardo Pereira Pereira

segunda-feira, 13 de junho de 2016

PORTAL DA TRANSPARÊNCIA USA MÉTODO QUE ELEVA SALÁRIOS DOS SERVIDORES



O Portal da Transparência do Governo do Estado de São Paulo está utilizando um método controverso na divulgação do salário dos servidores públicos estaduais, fato que tem gerado polêmica. Os servidores têm ficado surpresos ao verificar que seus salários, disponibilizados no site para consulta pública, são bem maiores do que os valores recebidos na realidade. 

Acontece que o Portal da Transparência, ao divulgar o salário bruto do servidor, adiciona os valores recebidos como bonificação por resultados, 13º salário, 1/3 de férias, pagamentos de atrasados, entre outros. Na verdade, o Portal soma tudo, o salário real, mais o bônus, mais o 13º salário, mais um 1/3 de férias, mais qualquer outro pagamento e faz uma média. Logicamente, isso provoca uma falsa elevação dos salários. Dessa forma, o salário do servidor disponibilizado para consulta da população aparece maior do que o salário real recebido. 

Pois é, salário é salário, bônus é bônus. Não é correto considerar o valor recebido através de bonificação como sendo parte do salário. Pior ainda e somar o 13º salário como sendo parte do salário bruto mensal. Esse formato de divulgação precisa ser revisto urgentemente. O Portal da Transparência precisa divulgar de forma clara e separada qual é o salário mensal real do servidor, o que foi recebido através de bonificação, quanto foi pago pelo 1/3 de férias, seu décimo terceiro, entre outros. Caso contrário, fica uma falsa impressão para a população que os salários dos servidores são bem maiores do são na realidade.

Consulte o seu salário no Portal da Transparência no link abaixo:

Professor Ricardo Pereira

segunda-feira, 28 de março de 2016

GOVERNO SUSPENDE O BÔNUS, OFERECE 2,5% DE AUMENTO E CANCELA A PROVA DO MÉRITO

Secretário da Educação, José Renato Nalini, anunciou o não
pagamento do bônus e o cancelamento da prova do mérito

O Governo do Estado de São Paulo, através do Secretário da Educação José Renato Nalini, anunciou nesta segunda-feira (28/03), a suspensão do pagamento do bônus aos profissionais da educação em 2016 e o cancelamento da prova do mérito realizada em agosto do ano passado. 

Segundo o Secretário, o bônus será convertido em reajuste salarial de 2,5%, a partir de abril, a todos os servidores da rede estadual, incluindo os aposentados. É certo que substituir o bônus por um reajuste considerável de salário é uma ideia defendida pela maioria dos professores, agora, trocar a bonificação por um aumento de apenas 2,5% é uma proposta absurda. Até ontem, bônus e reajuste salarial eram coisas distintas para o governo estadual. Reajuste era aumento de salário base e bônus era pagamento extra pelos resultados alcançados pela unidade escolar. O governo pagava o bônus e negociava o reajuste de salário a parte. Pois bem, a verdade é que neste ano o Governo não vai pagar o bônus e ofereceu um aumento de salário de apenas 2,5%. A proposta de converter o bônus em reajuste é uma artimanha que serve somente para maquiar a situação do não pagamento do bônus.    

Outra decisão equivocada do Governo paulista foi o cancelamento da prova do mérito que previa conceder aumento de salário aos professores aprovados na avaliação. Os professores dedicaram horas aos estudos se preparando para a prova, compareceram no dia, hora e local determinado e realizaram o exame, criaram a expectativa do conquista do aumento de salário e, agora, o Governo joga um balde de água fria e cancela tudo. Mudar as regras do jogo, no meio do jogo, não é honesto. Depois de realizar todo o processo, o Governo deveria cumprir o que foi estabelecido e conceder o aumento prometido.

Infelizmente, o segmento da educação não tem representação na política. E como é no meio político que as coisas são decidas, nós, profissionais da educação, ficamos a mercê da vontade e das decisões dos outros. Ficamos a mercê das decisões tomadas nos Gabinetes. Resta-nos gritar, gritar nas ruas e nas urnas. 

Professor Ricardo Pereira 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

PROFESSORES RECORREM A TRABALHO EXTRA PARA COMPLETAR A RENDA

Segundo a ONG Todos Pela Educação, que analisou 225 mil questionários de docentes do 5º e 9º do ensino fundamental da rede pública, boa parte dos professores estão recorrendo a atividades extras para completar a renda. Os questionários foram aplicados pelo INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas e os dados foram tabulados pela ONG a pedido do Jornal Folha de São Paulo, que divulgou o resultado.

Christian é professor da rede pública de Belo Horizonte e complementa a renda dando aulas de dança e atuando como personal trainer. Como professor recebe R$ 2.200,00 e com as atividades extras eleva sua renda para R$ 5.700,00. Christian diz que "se o professor fosse mais valorizado, teria tempo somente para investir na docência e, com certeza, as aulas teriam melhor qualidade". Foto: Alexandre Rezende / Folhapress.

Em média 41% dos docentes da educação básica do país tem mais de um trabalho. Alguns recorrem a dupla jornada dentro da própria educação, acumulando cargos de professor da rede municipal com a rede estadual ou da rede privada com a rede pública. Outros acumulam o emprego de professor com outra atividade desenvolvida fora da educação.

Essa rotina afeta a qualidade de vida do professor e provoca impactos negativos em seu desempenho na sala de aula. Sem tempo pra família, sem tempo para o lazer e cansado, o professor sofre com a degradação de sua condição de vida. Além disso, sem tempo pra estudar, sem tempo pra preparar aulas e cansado, o professor tem um baixo rendimento, afetando a qualidade do ensino.

Sem dúvida alguma, essa necessidade que o professor tem de desenvolver uma atividade extra para complementar a renda, em razão do salário inadequado, é um fator que dificulta a árdua tarefa de melhorar a qualidade da educação pública em nosso país. Leia a notícia no link abaixo: