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domingo, 19 de setembro de 2021

A EDUCAÇÃO INFANTIL NA BNCC



  A Base Nacional Comum Curricular, também denominada pela sigla BNCC, é um instrumento normativo de referência nacional para nortear a formulação dos currículos das redes de ensino e a elaboração das propostas pedagógicas das instituições escolares de educação básica. O documento contém cinco partes: Introdução, Estrutura da BNCC, A Etapa da Educação Infantil, A Etapa do Ensino Fundamental e A Etapa do Ensino Médio. Neste texto, vamos tratar somente da parte da educação infantil, apresentando um resumo com os tópicos das principais orientações da BNCC para a organização desta etapa de escolarização.

  Primeiramente, a Base faz um breve histórico do processo de integração da educação infantil ao conjunto da educação básica, citando marcos legais como a Constituição Federal de 1988 e a LDB de 1996, até chegar à caracterização atual dessa etapa de ensino. Hoje, de acordo com a legislação vigente, a educação infantil é a primeira etapa da educação básica, é o início e o fundamento do processo educacional. Atende crianças de 0 a 5 anos de idade, sendo oferecida em creches para crianças de 0 a 3 anos e na pré-escola para crianças de 4 a 5 anos. O atendimento em instituições de educação infantil é dever do Estado e direito das crianças, sendo a matrícula obrigatória a partir dos 4 anos de idade e facultativa na faixa etária de 0 a 3 anos.

  A BNCC, na parte da Introdução, estabeleceu dez competências gerais que devem ser desenvolvidas pelos estudantes ao longo de toda a educação básica e, em três capítulos separados, definiu especificidades para a organização curricular da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio. Para a etapa da educação infantil, foco deste texto, a Base estabeleceu uma organização do currículo estruturada em cinco campos de experiências, sendo que, para cada um desses campos foram fixados objetivos de aprendizagem e desenvolvimento específicos para três grupos de acordo com a faixa etária das crianças. Também fixou os direitos de aprendizagem e desenvolvimento na educação infantil, tratou das práticas pedagógicas, do acompanhamento das aprendizagens, da articulação com as famílias, da concepção de criança e do trabalho do educador. Todos esses assuntos serão explicitados na sequência do texto.

  Feita essa necessária introdução, a seguir, apresentamos um resumo do capítulo A Etapa da Educação Infantil da BNCC, estruturado em tópicos com breves explicações. Assim, os itens do conteúdo do referido capítulo aqui organizados em tópicos são os seguintes:

Direitos de aprendizagem e desenvolvimento
Foram fixados seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento para a educação infantil, que devem ser assegurados para que as crianças tenham condições de aprender e se desenvolver, sendo eles:
- Conviver;
- Brincar;
- Participar;
- Explorar;
- Expressar;
- Conhecer-se.

Campos de experiências
A organização do currículo da educação infantil está estruturada em cinco campos de experiências:
- O eu, o outro e o nós (EO);
- Corpo, gestos e movimentos (CG);
- Traços, sons, cores e formas (TS);
- Escuta, fala, pensamento e imaginação (EF);
- Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações (ET).

Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento (aprendizagens essenciais)
Constituem as aprendizagens essenciais que compreendem comportamentos, habilidades, conhecimentos e vivências. Foram definidos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para cada um dos cinco campos de experiências, de acordo com a faixa etária da criança. Ao todo são noventa e três objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para a educação infantil.

Grupos por faixa etária
Os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento, em cada campo de experiência, estão sequencialmente organizados em três grupos por faixa etária:
- Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) – Grupo 01;
- Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) – Grupo 02;
- Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) – Grupo 03.

Códigos dos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento
Cada objetivo de aprendizagem e desenvolvimento possui um código alfanumérico (com letras e números) com oito caracteres. Exemplo: EI02TS01
EI – o primeiro par de letras indica a etapa da Educação Infantil;
02 – o primeiro par de números indica o grupo por faixa etária;
TS – o segundo par de letras indica o campo de experiências;
01 – o último par de números indica a posição da habilidade na numeração sequencial do campo de experiências para cada grupo/faixa etária (sem relação com ordem ou hierarquia).

Interações e a brincadeira
Os eixos estruturantes das práticas pedagógicas devem ser as interações e a brincadeira.

Educar e cuidar
Concepção de atendimento às crianças que vincula educar e cuidar, entendendo o cuidado como algo indissociável do processo educativo.

Articular as experiências das crianças ao conhecimento sistematizado
Acolher as experiências da vida cotidiana das crianças e entrelaçá-las aos conhecimentos do patrimônio cultural, artístico, científico e tecnológico da sociedade, ou seja, acolher as vivências e os conhecimentos das crianças construídos no ambiente familiar e na comunidade e articulá-los as propostas pedagógicas das instituições.

Complementar a educação familiar
As instituições de educação infantil devem atuar de maneira complementar à educação familiar, especialmente no caso dos bebês e crianças bem pequenas.

Articulação com a família
A prática do diálogo e o compartilhamento de responsabilidades entre a instituição de educação infantil e a família são essenciais para potencializar as aprendizagens e o desenvolvimento das crianças.

Trabalhar com culturas plurais (pluralidade cultural)
A instituição precisa conhecer e trabalhar com as culturas plurais, dialogando com a riqueza e diversidade das famílias e da comunidade.

Intencionalidade educativa das práticas pedagógicas
As aprendizagens não podem ficar restritas a um processo de desenvolvimento espontâneo ou natural, pelo contrário, é necessário colocar intencionalidade pedagógica às práticas educativas na educação infantil, tanto na creche quanto na pré-escola.

Experiências de aprendizagens
A intencionalidade educativa concretiza-se através da organização e proposição de experiências de aprendizagens que contribuam efetivamente para o desenvolvimento das crianças.

Papel ativo da criança na aprendizagem
A criança deve aprender por meio de situações nas quais possa desempenhar um papel ativo, vivenciando desafios e tentando resolvê-los.

Desenvolvimento integral das crianças
As práticas pedagógicas devem garantir uma pluralidade de situações de aprendizagem que promovam o desenvolvimento integral das crianças.

Acompanhar as aprendizagens por meio da observação e registros
É preciso realizar o acompanhamento das aprendizagens das crianças por meio da observação e registros, mas sem a intenção de seleção, promoção ou classificação. Deve ser realizada a observação da trajetória de cada criança e de todo grupo, a produção de registros diversos pelo educador (portfólios, relatórios, fotografias, etc.) e a utilização de registros feitos pelas crianças (desenhos, escritas, colagens, etc.). Por meio dos registros é possível evidenciar a progressão das crianças, suas aprendizagens, conquistas, avanços e possibilidades.

Concepção de criança como sujeito histórico e de direitos
Define criança como “sujeito histórico e de direitos, que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura” (Art. 4º da Resolução CNE/CEB nº 5, de 2009). Dessa forma, adota uma concepção de criança como ser que observa, questiona, levanta hipóteses, conclui, faz julgamentos, assimila valores, constrói conhecimentos e se apropria do conhecimento sistematizado por meio da ação e nas interações com o mundo físico e social.

Trabalho do educador
Parte do trabalho do educador é refletir, selecionar, organizar, planejar, mediar e monitorar o conjunto das práticas e interações, garantindo a pluralidade de situações que promovam o desenvolvimento pleno das crianças.

  Essas são as determinações da Base Nacional Comum Curricular que devem ser respeitadas na organização dos currículos, propostas e práticas pedagógicas para a etapa da educação infantil.


Ricardo Alexandre Pereira


Referência:

BRASIL. Conselho de Nacional de Educação. A Etapa da Educação Infantil. InBase Nacional Comum Curricular.  Brasília: CNE/Ministério da Educação, 2017. p. 35 a 52. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

META DO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO PARA GARANTIR ACESSO A EDUCAÇÃO INFANTIL AINDA NÃO FOI CUMPRIDA


   O Plano Nacional de Educação - PNE, aprovado através da Lei Nº 13.005, de 25 de junho de 2014, com período de vigência de 10 anos, estabeleceu 20 metas que devem ser cumpridas até o ano de 2024, ou seja, durante o prazo de vigência do plano (2014 a 2024). Tais metas dizem respeito a garantia do acesso a educação, à universalização da alfabetização, a ampliação da escolaridade, a valorização dos profissionais da educação, a valorização da diversidade, a redução da taxa de analfabetismo funcional, entre outros temas.

  Segundo a legislação, o INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira deve publicar relatórios periódicos sobre a evolução no cumprimento das metas do PNE. O projeto Observatório do PNE, iniciativa coordenada pelo Movimento Todos pela Educação, também acompanha o desenvolvimento das metas do PNE e disponibiliza informações para consulta pública. E de acordo com os dados divulgados pelo INEP e pelo Observatório do PNE, a Meta 1 ainda não foi cumprida. A Meta 1, que trata do acesso a educação infantil, prevê o seguinte:  

Meta 1: universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e ampliar a oferta de educação infantil em creches de forma a atender, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das crianças de até 3 (três) anos até o final da vigência desde PNE.

  Pois bem, o Relatório de Monitoramento das Metas do Plano Nacional de Educação do INEP, referente ao biênio 2014-2016, informou que a Meta 1 não havia sido cumprida. No final de 2016, um total de 91,5% das crianças entre 4 e 5 anos de idade estavam matriculadas na pré-escola, enquanto 8,5% ainda se encontravam fora do sistema de ensino. A meta era universalizar o atendimento, ou seja, ter 100% das crianças de 4 a 5 anos estudando na pré-escola até o final de 2016. O documento também mostrou que apenas 32% das crianças de 0 a 3 anos tinham vaga garantida em creches, sendo que a meta prevê o atendimento de 50% das crianças nessa faixa etária até 2024.

  Já os dados do site Observatório do PNE mostram que essa situação não evoluiu de 2016 para 2018, pelo contrário, houve um recuo nos números. Segundo informa o Observatório do PNE, atualmente, 90,5% das crianças entre 4 e 5 anos de idade encontram-se matriculadas na pré-escola e 30,4%  das crianças entre 0 e 3 anos têm acesso a creche, ou seja, porcentagens menores do que as indicadas no relatório do INEP referente ao ano de 2016. Apesar dos dados divulgados pelo Observatório do PNE não serem oficiais, é preciso considerar que o Movimento Todos pela Educação é confiável e tem credibilidade.

  A verdade é que a falta de vagas na educação infantil ainda é um problema em todo país, principalmente em creches. É comum a existência de listas gigantescas de crianças esperando vagas em creches em todas as cidades brasileiras e são recorrentes as notícias na imprensa sobre esse problema. Sem dúvida alguma, a falta de vagas em creches é um dos grandes problemas que precisam ser resolvidos pelos governos municipais no Brasil todo. Se o poder público não conseguir sanar o déficit de vagas na educação infantil, a Meta 1 não será atingida até o final da vigência do Plano Nacional de Educação.

Ricardo Alexandre Pereira 


Acompanhe a evolução das metas do plano no site do Observatório do PNE: